Helena perdeu o marido e continuou morando na casa onde construíram uma vida juntos. Os filhos cresceram ali, as lembranças continuam em cada cômodo e, hoje, o imóvel vale aproximadamente R$ 500 mil.
A família está de acordo sobre a herança, mas existe um detalhe importante: a casa ainda está registrada no nome do marido falecido.
Como ninguém pretende vender o imóvel agora, Helena pensa em deixar o inventário para depois.
Afinal, se a família continua morando na casa, por que gastar dinheiro para regularizá-la?
Essa dúvida é mais comum do que parece. E entender quanto custa um inventário no RJ em 2026 é apenas parte da resposta. Também precisamos considerar a segurança do patrimônio e o tempo necessário para regularizar o imóvel.
O que a família ganha ao regularizar o imóvel?
Imagine que, daqui a alguns anos, Helena e os filhos decidam vender a casa.
Surge um comprador interessado. Ele gosta do imóvel, faz uma boa proposta e está pronto para fechar negócio!
Mas, ao conferir os documentos, descobre que a casa continua no nome do marido falecido.
E agora?
O comprador pode não querer esperar pelo inventário. Talvez procure outra casa ou tente negociar um preço menor por causa da documentação pendente.
É por isso que um imóvel sem regularização pode perder oportunidades de venda e até sofrer desvalorização.
Por outro lado, quando os documentos estão em ordem, o comprador tem mais segurança para fechar negócio, e a família ganha mais liberdade para decidir o que fazer com a casa.
Regularizar o imóvel é investir na segurança do patrimônio e proteger as escolhas da família para o futuro.
Quanto custa um inventário no RJ em 2026 para uma casa de R$ 500 mil?
Agora que Helena entende por que vale a pena regularizar a casa, surge a pergunta que preocupa muitas famílias: quanto dinheiro será necessário investir ?
Para responder, vamos considerar que a casa foi comprada durante o casamento, sob o regime da comunhão parcial de bens.
Nesse caso, metade do imóvel já pertence à viúva. A outra metade, equivalente a R$ 250 mil, será dividida entre os dois filhos, considerando as condições deste exemplo.
Embora todos estejam de acordo, existem despesas para concluir o inventário e atualizar a documentação da casa.
E os valores mudam conforme o procedimento escolhido.
Inventário judicial ou em cartório: quanto a família precisa investir?
Inventário Judicial
Tempo de demora: de 3 a 9 anos
ITD (4%) — R$ 10.000
Despesas judiciais — R$ 3.124,50 a R$ 14.060,30
Registro no RGI — R$ 4.200
Subtotal estimado
R$ 17.300 a R$ 28.300
Inventário em cartório
Tempo de demora: de 7 a 15 dias
ITD (4%) — R$ 10.000
Escritura pública — R$ 4.400
Registro no RGI — R$ 4.200
Subtotal estimado
R$ 18.600
Esse subtotal não inclui os honorários advocatícios nem eventuais despesas adicionais.
Simulação baseada em um imóvel de R$ 500 mil, no Rio de Janeiro, em 2026. Os valores são estimativos e podem variar conforme o caso e o valor real do patrimônio.
E quanto custa o advogado?
Além do imposto e das despesas com a Justiça ou o cartório, a família também precisa considerar os honorários do advogado.
A Tabela da OAB-RJ de 2026 traz percentuais de referência entre 6% e 8%. Mas isso não significa que todas as famílias pagarão o mesmo valor.
O custo depende do patrimônio envolvido, das dificuldades do inventário e do trabalho que será necessário. Por isso, antes de informar quanto a família precisará investir, o advogado deve analisar o caso, identificar suas particularidades e avaliar a complexidade do serviço. Só então poderá apresentar uma estimativa de honorários adequada à situação.
Por que existem tantas despesas no inventário?
1. ITD: o imposto sobre a herança
Quando uma pessoa falece e deixa bens, os herdeiros precisam pagar um imposto ao Estado para receber a herança. No Rio de Janeiro, ele se chama ITD.
O valor depende de quanto cada herdeiro recebe e das regras aplicáveis ao caso. Na nossa simulação, utilizamos a alíquota de 4% sobre os R$ 250 mil de herança, chegando a R$ 10 mil de imposto.
Para consultar as regras e orientações sobre o imposto, acesse a página oficial da Secretaria de Estado de Fazenda do Rio de Janeiro.
2. Despesas judiciais: o custo de fazer o inventário na Justiça
Quando o inventário é feito pela Justiça, a família precisa pagar despesas para que o processo seja realizado e acompanhado pelo tribunal.
Esses valores podem variar conforme o patrimônio e as características do caso. Por isso, na nossa simulação, apresentamos uma faixa estimada, e não um valor único.
3. Escritura pública: o documento que formaliza a divisão da herança
Quando o inventário é feito em cartório, a família paga pela escritura pública. É esse documento que registra oficialmente quem são os herdeiros e quais bens cada um receberá.
O valor da escritura depende das regras de cobrança do cartório e do patrimônio envolvido. Na nossa simulação, estimamos essa despesa em R$ 4.400.
4. Registro no RGI: a etapa que regulariza a propriedade do imóvel
Depois do inventário, ainda existe uma etapa importante: atualizar o registro do imóvel no Cartório de Registro de Imóveis (RGI).
No exemplo da Helena, é nesse momento que o registro do imóvel é atualizado para mostrar quem são os proprietários: a viúva e os dois filhos, respeitando a parte que pertence a cada um.
Sem essa atualização, a família pode enfrentar dificuldades para vender o imóvel no futuro, já que o registro ainda não mostra a divisão da propriedade. Na nossa simulação, estimamos essa despesa em R$ 4.200.

Afinal, vale a pena regularizar o imóvel herdado?
Lembra da Helena, que ficou viúva e precisava resolver a situação da casa com seus dois filhos?
Enquanto o inventário não é concluído e o imóvel não é devidamente registrado, a família pode encontrar dificuldades para vendê-lo ou decidir o que fazer com esse patrimônio.
Imagine que apareça um comprador interessado. Se a documentação não estiver regularizada, a negociação pode atrasar ou até deixar de acontecer.
Por isso, fazer o inventário não é apenas cumprir uma obrigação legal. É cuidar do patrimônio que a família construiu, trazer segurança para todos os envolvidos e evitar que a falta de documentação se transforme em um problema no futuro.
Regularizar o imóvel é um investimento na segurança do patrimônio e na tranquilidade da família.






