Logo Glauciane Carvalho Advocacia - Direito de Família e Sucessões

Glauciane Carvalho Advocacia

Construí uma casa no terreno da minha sogra. Tenho direito a alguma coisa?

Homem observando uma casa de classe média, ilustrando os direitos de quem decide construir no terreno da sogra.


Construir no terreno da sogra pode parecer uma boa solução para economizar, mas o que acontece com o dinheiro investido na casa quando o casamento termina?

Você acordava cedo, trabalhava o dia inteiro e já sabia para onde iria boa parte do salário.

Tijolos. Cimento. Pedreiros. Portas. Janelas.

Enquanto alguns amigos viajavam ou trocavam de carro, você tinha outro objetivo: construir uma casa para sua família.

O terreno era da sua sogra. Na época, parecia uma ótima solução. Vocês economizariam na compra do terreno e poderiam investir na construção.

Foram anos de trabalho até a casa ficar pronta.

Talvez você ainda se lembre da satisfação de entrar naquele imóvel e pensar: “Conseguimos.”

Mas o casamento terminou.

E, durante uma conversa sobre o divórcio, você ouviu uma frase que não esperava:

“O terreno é da minha mãe. Você não tem direito a nada.”

De repente, surgiu uma preocupação que talvez você tenha guardado para si:

“Será que vou perder tudo o que trabalhei para construir?”

A resposta pode surpreender você.

O terreno pode pertencer à sua sogra, mas isso não significa que todo o dinheiro investido na construção esteja perdido.

Construir no terreno da sogra: a casa também será dela?

Em regra, sim.

A lei normalmente considera o terreno e a construção como partes de um mesmo imóvel.

Imagine que sua sogra tenha um terreno avaliado em R$ 150 mil e que você e sua esposa tenham investido R$ 200 mil para construir uma casa.

Mesmo depois da obra, o terreno continua registrado em nome dela.

Isso significa que você não se tornou automaticamente proprietário da casa apenas porque pagou pela construção.

Mas ser proprietário do imóvel é diferente de ter direito a receber pelo investimento realizado.

Posso receber uma indenização pela construção?

Dependendo das circunstâncias, sim.

O artigo 1.255 do Código Civil prevê que quem constrói de boa-fé em terreno de outra pessoa pode ter direito a uma indenização.

Em linguagem simples, indenização é uma compensação financeira reconhecida em determinadas situações.

Mas não basta apresentar as contas da obra e exigir o dinheiro de volta.

É necessário compreender como a construção aconteceu.

Sua sogra autorizou a obra? Houve algum acordo? O terreno foi cedido apenas para vocês morarem?

Essas informações ajudam a identificar os direitos envolvidos.

E existe outro cuidado: ter gasto R$ 200 mil na construção não significa, necessariamente, receber R$ 200 mil de indenização.

O valor dependerá das circunstâncias e das provas.


📌 Orientação Profissional: A verificação dos investimentos realizados e a análise das provas dependem das particularidades de cada patrimônio. [Acesse o atendimento do escritório no WhatsApp para orientações sobre o seu caso].

Se fui eu quem pagou a obra, preciso dividir esse direito no divórcio?

Imagine que você tenha usado seu salário para pagar quase toda a construção.

Agora, além de discutir o investimento feito no terreno da sua sogra, surge outra dúvida:

“Se o dinheiro saiu da minha conta, por que minha esposa teria direito a uma parte?”

A resposta depende do regime de bens e da origem dos recursos.

Na comunhão parcial, por exemplo, os bens e direitos adquiridos durante o casamento podem integrar o patrimônio comum, mesmo quando apenas um dos cônjuges fez os pagamentos.

Isso significa que o possível direito econômico relacionado à construção também pode precisar ser considerado na partilha.

Mas atenção: dividir um direito econômico não é o mesmo que dividir a propriedade do terreno.

São questões diferentes.

Como provar que investi dinheiro naquela casa?

Você não precisa confiar apenas na memória.

Documentos podem ajudar a demonstrar como a obra aconteceu e quem participou dela.

Procure reunir:

  • Notas fiscais de materiais de construção.
  • Comprovantes de pagamentos e transferências bancárias.
  • Contratos e recibos de pedreiros.
  • Fotografias da construção.
  • Mensagens sobre a autorização para construir.

Também vale consultar a matrícula do imóvel, documento do Cartório de Registro de Imóveis que permite verificar quem é o proprietário do terreno.

Essas provas não garantem uma indenização, mas podem ser importantes para esclarecer os fatos.

Minha sogra pode me obrigar a sair da casa?

Sua sogra não pode simplesmente expulsar você da casa por conta própria, trocar as fechaduras ou retirar seus pertences.

Mesmo sendo proprietária do terreno, ela precisa respeitar os procedimentos previstos em lei.

Mas isso não significa que você tenha o direito de permanecer no imóvel para sempre.

Imagine que, depois da separação, sua sogra peça que você saia imediatamente.

Antes de tomar uma decisão, precisamos entender como a construção foi autorizada, quais eram os acordos familiares e em que condições você passou a morar ali.

Dependendo da situação, ela poderá buscar judicialmente a retomada do imóvel. Por outro lado, você poderá ter direitos relacionados à construção que precisam ser analisados.

E atenção: o possível direito a uma indenização não garante, por si só, o direito de continuar morando na casa.

Por isso, se sua sogra exigir sua saída, não ignore a situação, mas também não tome decisões precipitadas.

Antes de entregar as chaves ou assinar qualquer acordo, procure orientação jurídica para compreender seus direitos e as consequências da saída.

Construí no terreno da sogra e vou me divorciar. Vou perder tudo?

Não necessariamente.

O primeiro passo é descobrir quem é o proprietário do terreno, como a construção foi autorizada, de onde veio o dinheiro e quais provas existem.

Se você ainda está planejando construir, vale tomar esses cuidados antes da obra e formalizar os direitos de cada pessoa. Dependendo da situação, instrumentos como o direito de superfície podem oferecer maior segurança jurídica.

Agora, se a casa já está pronta e o casamento terminou, não conclua que perdeu tudo apenas porque o terreno não está no seu nome.

Talvez exista um direito econômico que precise ser reconhecido e considerado na partilha.

Você levou anos para construir aquele patrimônio. Antes de abrir mão de qualquer direito, procure entender exatamente o que está em jogo.

Porque o fim de um casamento já exige decisões difíceis. E conhecer seus direitos ajuda a evitar que a falta de informação provoque um prejuízo ainda maior.

Sobre a autora

Foto de Dra. Glauciane Carvalho
Dra. Glauciane Carvalho

Advogada há 15 anos, com atuação em Direito das Famílias e Herança. Integrante do Instituto Brasileiro de Direito de Família (IBDFAM).

Acredito que o patrimônio de uma família é muito mais do que bens e valores: representa uma vida de trabalho, escolhas e conquistas que merecem ser respeitadas e protegidas. É com esse compromisso que exerço minha advocacia, buscando soluções jurídicas seguras, que respeitem os direitos de cada família e, sempre que a lei permitir, evitem o desgaste e a demora de um processo judicial.